quarta-feira, 29 de dezembro de 2010



Parece que estou a voar sobre as nuvens não é?
Ia de autocarro e aproveitei para tirar umas fotos ao vale de Chaves que não se vê mas está lá. Como que por encanto desapareceu!!!
Há medida que vamos descendo para Chaves, graças ao nevoeiro parece que passamos para uma outra realidade, Chaves torna-se assim mais misteriosa, aproximando-se do seu passado medieval.

A pedra da pevide

Será a arca de algum tesouro? Não creio! Da maneira que estamos em crise já não estaria ali!



Já alguns tempos que não ia para os lados da Pevide. No outro dia fomos à azeitona para aqueles lados e aproveitei para tirar uma foto à que dizem ser a maior pedra do concelho de Valpaços e arredores. Não sei se é a maior, mas que é grande é! esta pedra encerra uma lenda para brincar com os mais novos. Dizia-se aos mais novos e ingénuos que dentro daquela fraga existia uma velha a fiar e que para ouvi-la bastava colocar o ouvido não encostado mas a 3 ou 4 cm da pedra. É claro que havia na época sempre algum inocente que acreditava nesta história!
Mal o indivíduo se preparava para ouvir o diacho da velha, quase como sem dar por isso recebe um empurrão do lado contrário, batendo com a cabeça naquele enorme rochedo! Eu nem imagino as asneiras que a vítima da brincadeira terá dito, mas a verdade é que sempre ouviu qualquer coisa! Para além duma grande dor de cabeça, ficou a ouvir durante algumas horas o zuido da pancada a martelar-lhe o cérebro!!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cantata de Natal em Vilarandelo


Na proxima terça-feira dia 28 de Dezembro pelas 21:00 horas, na Igreja Paroquial de Vilarandelo, o coro da Associação Cronologia dos Sons em conjunto com os alunos da escola de Musica Osnabruck, vão-nos deliciar com uma Cantata de Natal. Sob a batuta do maestro Francisco Doutel, o coro e escola de música para além de actuarem em Vilarandelo darão mais três concertos, em Carrazedo de Montenegro (27 de Dezembro), em Valpaços (29 Dezembro), e Murça (30 de Dezembro). O coro da Associação Cronologia dos Sons está sedeado em Valpaços, mas tem elementos de todo o concelho, inclisivé de Vilarandelo. A associação tem cerca de 1 e meio ano de existência, vocacionada para a música coral, procura levar às populações este género de música ainda pouco divulgada no nosso concelho.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cai neve em Vilarandelo















Batem leve, levemente,


como quem chama por mim.


Será chuva? Será gente?


Gente não é, certamente



e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:


mas há pouco, há poucochinho,


nem uma agulha bulia



na quieta melancolia


dos pinheiros do caminho...


Quem bate, assim, levemente,


com tão estranha leveza,



que mal se ouve, mal se sente?


Não é chuva, nem é gente,


nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía


do azul cinzento do céu,


branca e leve, branca e fria...


- Há quanto tempo a não via!


E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.


Pôs tudo da cor do linho.


Passa gente e, quando passa,


os passos imprime e traça


na brancura do caminho...


Fico olhando esses sinais


da pobre gente que avança,


e noto, por entre os mais,


os traços miniaturais


duns pezitos de criança...


E descalcinhos, doridos...


a neve deixa inda vê-los,


primeiro, bem definidos,


depois, em sulcos compridos,


porque não podia erguê-los!...


Que quem já é pecador


sofra tormentos, enfim!


Mas as crianças, Senhor,


porque lhes dais tanta dor?!...


Porque padecem assim?!...


E uma infinita tristeza,


uma funda turbação


entra em mim, fica em mim presa.


Cai neve na Natureza


- e cai no meu coração.



Augusto Gil

domingo, 14 de novembro de 2010

Teatro em Vilarandelo - Sábado dia 20 de Nov.






No proximo sábado dia 20 de Novembro pelas 21.30h, no salão de espectáculos da Casa do Povo vai actuar o grupo de teatro TEF(Teatro Experimental Flaviense) com a comedia:
"Jorge Dandino ou Um Marido Confundido" de Moliére.

"A peça “Jorge Dandino ou um Marido Confundido” estreou com casa cheia em Fevereiro para comemorar os 30 anos do Teatro Experimental Flaviense (TEF) e subiu cinco vezes ao palco em Chaves, mas muitos não a viram e iam pedinchando uma nova oportunidade. Rufino Martins, director da companhia, faz-lhe agora a vontade. “Esta peça está entre os melhores trabalhos do TEF pela qualidade da encenação. Tem um cenário vistoso e imponente; o som, a luz e o guarda-roupa são fabulosos. Os actores têm muita experiência, o que faz com que a peça resulte em qualquer lado e que a crítica seja muito boa”, explica o director do TEF.

Mas afinal quem é Jorge Dandino? Um ingénuo e rústico aldeão que casa com uma fidalga sem dinheiro e rápido descobre as pérfidas intenções da senhora ao deparar-se com as suas infidelidades matrimoniais. Durante cerca de 1h20, oscilando entre situações cómicas e um desespero dramático, Jorge Dandino tenta desmascará-la, mas não consegue, já que a sogra também não quer perder a fortuna do genro. No fundo, “é um homem bom e honesto que tem a infeliz ideia de pensar que a fidalguia e o dinheiro deveriam andar de mãos dadas”, descreveu o encenador Ruy de Matos na estreia da peça. Mas ao contrário do ditado e ironia das ironias, “a trama da peça parece não os castigar pois persistem impunemente na sua conduta”, conclui o encenador do Teatro Nacional D. Maria II. É aqui que reside o génio singular de Molière.

“É uma peça de um grande autor. Molière é extraordinário. Esta é uma comédia, mas dá que pensar porque o personagem principal vê-se envolvido numa série de enganos por parte da mulher e da sogra, que dá pena dele”, comenta Rufino Martins. “Hoje, também há maridos enganados pelas esposas. Este tema vem quase do princípio do mundo aos dias de hoje. Esta é a maneira que Molière via um estrato da sociedade, que se reflecte também na actual”, conclui o director do TEF. “Jorge Dandino” andou este ano em itinerância e até ao final do ano deverá ser representada mais sete vezes em localidades dos distritos de Vila Real e Bragança."

Excerto retirado do diário @ctual do Alto Tâmega e Barroso

Apareçam, que de certeza vão passar um bom bocado na companhia deste grupo de teatro.

A entrada é gratis!


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Novo blog do Rancho Folclórico de Vilarandelo


O Rancho Folclórico de Vilarandelo entrou para a blogosfera com um blog onde vai deixando informação sobre o que vai acontecendo anualmente com este grupo.

Deixo em baixo o link para mais este blog sobre Vilarandelo:



terça-feira, 26 de outubro de 2010

O vinho de Santa Bárbara



Quando no ano passado a Comissão de Festas andou a pedir para o vinho de Santa Bárbara, surgiu por parte de algumas pessoas (emigrantes) dúvidas em relação a este peditório. O Comissário Sr. José Carvela andou por terras de França e contactou vários emigrantes vilarandelenses no sentido de lhes pedir para o vinho de Santa Bárbara! Houve alguns emigrantes que não sabiam nem nunca tinham ouvido falar neste peditório. Pois aqui vai uma breve explicação:


Antigamente, a nomeação dos Comissários era de maneira ligeiramente diferente. Ser Comissário da festa era uma honra, por isso, eles eram nomeados no Domingo da festa, logo depois do sermão que o padre fazia no fim da procissão. Os novos comissário encaravam a nomeação como se de uma missão divina se tratasse. Hoje, as Comissões de Festas são nomeadas um pouco por vingança, ” – este criticou-nos, vamos nomeá-lo!”


O sentido de responsabilidade é cada vez menor e nas comissões nomeadas só um ou dois é que ficam, acabando por falar com mais meia dúzia deles reorganizando assim a Comissão para a festa desse ano. É assim que tem mais ou menos acontecido estes últimos anos.


Mas, voltando ao vinho de Santa Bárbara, antigamente, os novos comissários começavam logo a trabalhar para arranjar dinheiro para a festa. Vilarandelo era terra de muita produção de vinho. Então, logo por altura da encubada, era costume os homens da Comissão andar de porta em porta a pedir vinho para a Santa Bárbara. Cada produtor dava sempre um almude ou um cântaro de vinho, sendo uma forma de agradecer à Santa a boa produção daquele ano. Todo o vinho recolhido pela aldeia era depositado numa pipa que a comissão tinha para o efeito, para posteriormente ser vendido aos barrosões. O dinheiro feito da venda deste vinho era para a festa pois toda a ajuda monetária era preciosa.


Hoje, a tradição já não é o que era, os produtores de vinho são cada vez menos e a maioria da população de Vilarandelo já não o produz, daí a comissão andar na mesma de casa em casa a pedir para o vinho de Santa Bárbara. Mas, para não se perder a tradição por completo, as comissões continuam a fazer o peditório, pedindo dinheiro e não vinho como antigamente. É uma forma que se arranjou para não se perder por completo uma tradição e ao mesmo tempo angariar fundos para a festa.

Dr. Olímpio Seca - homenagem centenário

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cantar o hino




Numa época em que o amor à pátria e aos nossos símbolos está um pouco pelas ruas da amargura, achei interessante a ideia que a organização das celebrações do 5 de Outubro teve. Tivemos então dia 5 de Outubro por volta das 10h e 30mn, todo o país a cantar o hino, e como não podia deixar de ser Vilarandelo uniu-se ao projecto. A Banda, o Rancho e uns quantos vilarandelense lá se juntaram à hora prevista. O maestro da Banda levantou a batuta e cantou-se o hino!!!

...Contra os canhões marchar, marchar!

O momento foi filmado com uma máquina fotográfica e enviado para o email da Assembleia da República. Dizem que durante o dia iriam passar na televisão algumas das filmagens enviadas. Eu não vi nada! Mas também não interessa, o que interessa é que nos tenhamos mobilizado contribuindo para a divulgação do hino, honrando-o da melhor forma, cantando.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os nosso concelhos vizinhos






Este fim-de-semana, mais propriamente no Domingo, eu e a minha família fomos dar um passeio. O dia estava bonito, apetecia passear! Não foi preciso ir para muito longe, Trás-os-Montes tem muitos recantos para serem descobertos. Bastou fazer uma pequena visita aos nossos Concelhos vizinhos de Mirandela e Macedo de Cavaleiros. São dois concelhos que nos últimos 15/20 anos souberam encontrar estratégias para atrair os turistas e deixar dinheiro nesses concelhos. Não quero com este texto melindrar nenhum poder político instituído mas o que tem de ser dito, tem de ser dito e a realidade está às vistas. O Concelho de Macedo de Cavaleiros por exemplo tem um posto de turismo que é por excelência a porta de entrada para qualquer pessoa que queira visitar aquela região. A primeira coisa que fizemos quando entramos no Posto de Turismo foi informarmo-nos do que havia no Concelho, depois de uma explicação breve dada por uma funcionária simpática tivemos acesso a panfletos, desdobráveis, livrinhos e 2 ou 3 postais, onde ficamos logo a saber que têm um roteiro museológico de 7 museus espalhados pelas aldeias do concelho com temáticas muito diferentes que vão desde a arte sacra e arqueologia ao azeite e Folclore, ficamos a saber que têm uma rota dos pelourinhos e do azeite, ficamos a saber quais os restaurantes e as especialidades gastronómicas da região. Temos acesso a uma agenda cultural onde notamos que a actividade cultural do concelho não acontece apenas nos meses de verão, mas durante todo ano. Ficamos a saber que, como eles têm um espaço digno para espectáculos de teatro podem trazer a Macedo artistas que de outro modo só se poderiam ver em Vila Real ou Bragança. Ficamos a saber que nessa mesma agenda cultural são divulgadas (incentivando assim) todas as actividades culturais e desportivas das associações (que são muitas). Através desta agenda cultural também ficamos a saber que o município de Macedo se preocupa por dinamizar as aldeias pondo-as na rota cultural e desportiva do Concelho, onde para isso se criou uma associação (Potrica – Associação Cultural do Nordeste Transmontano) que se dedica a incentivar, promover e divulgar eventos culturais no Concelho e fora dele. Para além desta divulgação no posto de Turismo, O município Macedense tem um Site onde não se limita a dar notícias e informação do que o Município faz ou tem, é acima de tudo um sítio onde a informação cultural, desportiva, turística e gastronómica tem destaque, privilegiando e apoiando a divulgação da gastronomia, cultura e desporto do Concelho de Macedo de Cavaleiros.


O trabalho que os municípios nossos vizinhos de Macedo de Cavaleiros, Mirandela e até Vinhais, têm desenvolvido em prol do turismo, não é feito em cima do joelho, foram necessários 15 ou 20 anos para que as coisas funcionem com qualidade. A qualquer altura do ano se vê gente nas ruas de Mirandela ou de Macedo, turistas que visitam aquelas terras deixando lá dinheiro, fomentando-se o negócio. Em Vinhais por exemplo, caminha-se a passos largos para esta auto-sustentação baseada num turismo de qualidade com o parque biológico da vila. Ou seja, não basta pensar em desenvolvimento à base do betão e promover uma ou duas feiras gastronómicas. Se não promovermos um turismo sustentável que se centre na divulgação e apoio do que se faz e do que se tem no nosso Concelho, corremos o risco de perder competitividade em relação aos outros concelhos vizinhos. Os turistas que vêm visitar Trás-os-Montes vão a Mirandela, Macedo, Bragança, Miranda do Douro, Vinhais ou Chaves e acabam por esquecer Valpaços que, tirando os dias de aulas, a Feira do Folar, o mês de Agosto e o inicio de Setembro com a festa, parece uma cidade fantasma, pouco ou nada mais há divulgado, que mantenha por aqui as pessoas.


Nestes últimos 15/20 anos o Concelho de Valpaços evoluiu sim, não o nego, ao nível dos acessos temos melhores estradas, ao nível social fez-se um grande investimento em novos centros de dia e lares, ao nível energético com investimento nas mini-hídricas, ao nível do bem-estar, foram feitos alguns jardins e parques e por aí fora… Falta a meu ver cuidar melhor do nosso património histórico e paisagístico, falta criar condições e estratégias para cativar o turismo para o nosso concelho ao longo de todo ano, falta criar um programa cultural diversificado que passaria por ter um espaço nobre vocacionado para as apresentações de teatro e outro tipo de espectáculos, falta envolver mais as associações do Concelho dando-lhes incentivos numa tentativa de encontrar uma plataforma de entendimento vocacionada para o turismo e para uma maior divulgação da cultura, desporto e outras iniciativas que aqui se produzem. Resumindo, falta agarrarmos com unhas e dentes a oportunidade de mostrar aos outros que também temos e fazemos coisas boas e com muita qualidade, para que quando as pessoas vieram visitar Trás-os-Montes, alguém lhes tenha dito ou de lerem em algum sítio que afinal no Concelho de Valpaços também temos paisagens bonitas e bem tratadas, que temos uma gastronomia de qualidade, que temos muitas igrejas e monumentos centenários para visitar, que temos e poderíamos mostrar semanalmente a nossa cultura num espaço de qualidade (se existisse). Mas para isso a autarquia terá mudar radicalmente a maneira de olhar para o Concelho, olhando-o como um todo, envolvendo todas as freguesias na divulgação e na criação de um programa cultural, desportivo e gastronómico.